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GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HIST?RIA DO MUNDO PDF

Tuesday, October 1, 2019


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Author:FELICIDAD ABELLERA
Language:English, Spanish, Arabic
Country:Bhutan
Genre:Academic & Education
Pages:624
Published (Last):03.11.2015
ISBN:214-9-40432-997-4
ePub File Size:22.51 MB
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Buenos Aires: Santillana,. Invite a sus Historia Segundo Vol. Al ser una manera de organizar el mundo, fundamenta Historia Mundo Contemporaneo Santillana. Pdf - Manual de Archivo de la etiqueta: historia del mundo contemporaneo santillana pdf. Saber Hacer. Publicado el septiembre 21, Thu, 13 Dec Historia Del Mundo Contemporaneo - Santillana.

For Later. Jump to Page. You are on page 1 of Search inside document. O soldado, com a voz estremecida, responde que o problema eram seus nervos. Patton fica estarrecido. Grita com o soldado, esbofeteia-o, ameaa puxar o revlver do gatilho e manda que o tirem dali porque ali um lugar de honra, e ele no queria ver seus homens corajosos feridos maculados pela presena, ele usa esta expresso, de um covarde.

Na sequncia, o filme narra a queda de Patton, ainda que ele volte a comandar um exrcito americano aps o Dia D, mas sem qualquer grande reconhecimento. E, para sua maior humilhao, ele passar a ser comandado por um colega que sempre fora seu segundo oficial.

A queda de Patton se d por conta do barulho que a mdia faz acerca dos maus-tratos que ele demonstrara ao soldado covarde assumo aqui, claro, o ponto de vista de Patton. O estardalhao da mdia gera no exrcito a reao que levar Patton desgraa. O filme feito em plena era da Guerra do Vietn ecoa o sabido impacto negativo do ponto de vista do exrcito americano que a mdia e a sociedade americanas tiveram sobre o desenrolar da Guerra do Vietn. Ali nascia a praga PC. O que esse fato do filme relata o nascimento do politicamente correto.

Patton foi politicamente incorreto ao chamar o soldado pelo seu nome, covarde, porque o exrcito v sua reao como insensvel aos limites do soldado em questo e ruim para a boa imagem da instituio.

A praga PC uma mistura de covardia, informao falsa e preocupao com a imagem. Combina com uma poca frouxa como a nossa. No filme nele testemunhamos os primeiros sinais do processo que daria no politicamente correto em seu embrio , vemos um dos melhores generais dos Estados Unidos prejudicado pelo fato de se mover dentro do espectro da tica da coragem, virtude guerreira mxima.

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Ser politicamente correto nesse caso negar o valor da coragem em favor da sensibilidade frgil do soldado. Do ponto de vista de Patton, a guerra e o exrcito so instituies que glorificam a humanidade fazendo brilhar seus homens mais corajosos.

Punindo-o da forma como o exrcito e a mdia o puniram, estaramos faltando ao respeito para com os homens que morrem porque no fogem do medo e da morte, como o sensvel fugiu. Um exrcito de covardes, ou um exrcito que desculpa a covardia, seria um exrcito morto. O mesmo vale para a humanidade como um todo. Claro que existe a sensibilidade humana tambm, mas, ao querer transformar coisas como essas em polticas pblicas, o politicamente correto destri aquilo mesmo que quer valorizar.

Esse um de seus grandes pecados. A sensibilidade de um soldado s pode ser medida diante de sua coragem, e no sem ela. Homens sensveis tambm morrem na guerra porque foram corajosos, logo, o que levou aquele soldado em questo enfermaria no foi sua sensibilidade, mas sua covardia.

A tica aristocrtica da coragem marca das sociedades guerreiras. Muita gente hoje em dia considera essa posio retrgrada e reacionria porque ela no levaria em conta os limites do humano.

Para Patton, e o que ele representa no filme, a ideia falsa, porque na vida, vista como uma guerra contnua, a falta de coragem sempre reconhecida pelos que no mentem ou no agem de m-f a guerra seria uma representao da vida, como nos mostra Tolsti em seu monumental Guerra e Paz. V oc no precisa estar num campo de batalha, onde brotam os corajosos e os covardes a olho nu, para saber que no cotidiano os covardes mentem mais, fogem das responsabilidades, traem seus amigos e colegas, usurpam glrias que no so suas, enfim, mesmo morta a sociedade guerreira da Antiguidade, permanece a conscincia cristalina de que sabemos identificar a coragem quando ela se revela diante de nossos olhos.

Por acaso voc j viu um covarde? Talvez no espelho? J teve vontade de ficar de joelhos diante de algum que de fato no teme aquilo que a maioria teme seja a morte, representao mais evidente da questo, seja a perda do emprego, o abandono, a tristeza?

Uma das coisas que os politicamente corretos mais temem a tica aristocrtica da coragem levada para a vida cotidiana, porque ela desvela o que h de mais terrvel no ser humano, a saber, que ele o animal mais assustado e amedrontado do mundo. Para os politicamente corretos, o correto mentir sobre isso, a fim de aliviar a agonia que temos porque sabemos que somos todos no fundo covardes e dispostos a colaborar com nazistas ou seus similares se para ns for melhor em termos de sobrevivncia.

H uma profunda relao entre essa praga e a autoajuda, na medida em que ambas mentem sobre os verdadeiros problemas dos seres humanos e de nossa natureza sofrida e angustiada. Dizem eles que tudo isso culpa do machismo, do capitalismo, do cristianismo, dos marcianos. Outra coisa que o politicamente correto detesta a prpria noo de aristocracia que a filosofia, j em Plato, separou da noo de aristocracia de sangue para defini-la como o governo dos mais virtuosos , porque ela afirma que uns poucos so melhores do que a maioria dos homens.

A sensibilidade democrtica odeia esta verdade: os homens no so iguais, e os poucos melhores sempre carregaram a humanidade nas costas. V oltaremos questo da aristocracia mais tarde, porque ela uma das melhores chaves para pensarmos o que seria uma filosofia politicamente incorreta.

Mas, antes, vejamos o que , afinal, o politicamente correto, essa praga contempornea. O politicamente correto um ramo do pensamento de esquerda americano.

Se pensarmos no contexto onde ele nasceu, veremos a ascenso social dos negros americanos no final dos anos Fenmeno semelhante aos gays a partir dos anos A semelhana apenas comprova a tese: assim como a ascenso social dos negros nos anos 60, a ascenso social dos gays nos anos 80 gerou o que podemos chamar de mal-estar com relao ao mau tratamento dado aos gays na vida social comum.

Se voc encontra negros ou gays no mesmo restaurante em que vai jantar, comea a ficar feio dizer piadas desagradveis diante deles. Antes de tudo, trata-se de um problema de educao domstica. Mas, pelo fato de ter sido um fenmeno que entrou para a agenda da nova esquerda americana, a necessidade de melhores maneiras no convvio com os negros acabou por se transformar num programa poltico de criao de uma nova conscincia social mantras como esse me do alergia.

A diferena entre a velha esquerda e a nova esquerda que, para a velha, a classe que salvaria o mundo seria o proletariado os pobres , enquanto, para a nova, todo tipo de grupos de excludos: mulheres, negros, gays, aborgines, ndios, marcianos E tambm outra diferena o carter revisionista.

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Isto , nada de revoluo violenta, nada de destruio do capitalismo, mas sim de acomodao do status quo econmico s demandas de incluso dos grupos de excludos. Claro que isso implica uma acomodao de duas mos: o capitalismo aprenderia que pode tambm incluir em sua festa todas as raas e sexos, e os excludos aprenderiam que o capital um excelente parceiro na luta pelos direitos.

No caso dos gays, o processo to evidente quanto a luz do sol. Como os gays so um grupo de grande poder aquisitivo gente sem filhos, boa formao profissional, alto consumo , fazer a ordem econmica aceit-los foi muito fcil, muito mais fcil do que aos negros. Por isso, muitos chamam a revoluo gay de revoluo conservadora, porque tudo que eles querem andar de mos dadas no shopping e ir reunio de pais e mestres na escola do filho.

Mas todo mundo com Amex na mo. O politicamente correto, assim, nesse momento, se caracterizar por ser um movimento que busca moldar comportamentos, hbitos, gestos e linguagem para gerar a incluso social desses grupos e, por tabela, combater comportamentos, hbitos, gestos e linguagem que indiquem uma recusa dessa incluso. Da foi um salto para virar aes afirmativas, isto , leis e polticas pblicas que gerassem a realizao do processo cotas de negros, gays, ndios nas universidades e nas empresas, por exemplo.

Associado a isso, a universidade comeou a produzir sendo a universidade sempre de esquerda teorias sobre como a ideologia estamos falando de descendentes diretos de Marx de ricos, brancos, homens heterossexuais, ocidentais, cristos criaram mentiras para colocar as vtimas os grupos de excludos citados acima como sendo menos inteligentes, capazes, honestos etc.

O prximo passo foi a criao de departamentos nas universidades dedicados crtica da ideologia dos poderosos. Em que pese o fato de que preconceito de fato existe, e que num bom convvio devemos sim aceitar e respeitar, na medida do possvel, as pessoas em suas diferenas e, portanto, no se trata de reduzir a crtica praga PC ao direito de contar piadas contra negros, judeus e gays; s algum de m-f pensaria isso.

O problema com o politicamente correto que ele acabou por criar uma agenda de mentiras intelectuais filosficas, histricas, psicolgicas, antropolgicas etc.

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Grande parte do esprito que move este livro criticar algumas dessas mentiras ou coloc-las sob o olhar da filosofia e de alguns filsofos.

Movidos pela ideia rousseauniana de que o mais fraco politicamente por definio melhor moralmente, o exrcito do politicamente correto se transformou numa grande horda de violncia na esfera intelectual nas ltimas dcadas, criando uma verdadeira cosmologia politicamente correta por exemplo, dizendo que Deus na verdade uma Deusa a servio da transformao do mundo no mundo que eles tm na cabea, muitas vezes inviabilizando qualquer possibilidade de pensar diferente.

Falta apenas um detalhe tcnico. No incio do sculo 20, filsofos americanos como John Dewey, William James e Charles Sanders Peirce, com diferenas entre eles, criaram uma escola de filosofia chamada pragmatismo pragma em grego significa ao , que afirmava que a verdade de uma palavra seu uso eficaz em termos de criao de fatos no mundo.

Por exemplo, se eu comeo a relacionar devido presso das universidades e da mdia a expresso futuro negro ideia de que tenho preconceito contra negros porque a ideologia dominante dos brancos coloca esse preconceito em mim , por isso uso negro nessa expresso como adjetivo de um futuro ruim, um dia deixarei de usar essa expresso porque terei assimilado a crtica ao preconceito embutida na condenao politicamente correta da expresso.

Se eu chamo Deus de Deus porque julgo que o homem gnero mais parecido com Deus do que a mulher. Por isso que uma determinao poltica de demonizar uma expresso dever salvar o mundo, porque moldar novas conscincias crticas.

A eficcia do politicamente correto estaria exatamente na criao do novo fato: a proibio do uso da expresso futuro negro, seja por conta do mal-estar moral que ela deva causar em voc, seja pela punio da lei como no Canad quando se usam expresses como essa. Vemos, assim, um contexto econmico, associado a uma teoria poltica e a uma teoria filosfica sobre a linguagem, criar um Leviat.

O politicamente correto hoje muito amplo como fenmeno, mas sempre autoritrio na sua essncia, porque supe estar salvando o mundo. Nos demais ensaios, voltarei a definies do politicamente correto vrias vezes naquilo que cada um deles desvela como filosofia contrria a ele. A escolha dos temas de cada um dos ensaios seguiu apenas a intuio de que, atravs deles, podemos criticar filosoficamente essa praga contempornea. Em grego antigo, aret virtude fora , cracia governo.

Mas o que significa ter aret? Se entendermos a palavra no seu sentido mais pleno, aristoi aquele que fica de p por si mesmo porque tem fora interior ou carter. Antes de tudo, a palavra significa que aristocrata um membro do grupo dos melhores de uma cidade ou grupo social. O termo foi evidentemente usado para descrever sociedades hierarquizadas pelo nascimento ou herana de sangue familiar, ou pelo poder econmico ou patrimonial herdado. Mas a filosofia cedo criticou esse uso, apesar de tambm reconhecer que a linhagem de nascimento, assim como a de herana patrimonial, muitas vezes pode predispor algum para ter mais virtudes pela sorte de ter nascido bem.

Claro que voc pode nascer pobre e melhorar, nascimento no destino, mas muito mais fcil dar certo na vida se voc tiver sorte com a famlia e a classe social em que nasceu. J em Plato e Aristteles a questo dos melhores aparece de modo claro. Na Repblica a escola deveria selecionar os melhores para cuidar da cidade, e Aristteles no seu livro tica a Nicmaco fala da grande alma como o homem mais virtuoso e capaz, a partir do qual os outros vivem, como se a abundncia de fora desse homem alimentasse toda a comunidade.

O que fica claro em ambos a percepo de que alguns poucos capazes so sempre responsveis pelo mundo. A funo da educao exatamente identificar nos alunos suas diferenas e coloclas a servio da sociedade. Os melhores lideram, os mdios e medocres seguem. Qualquer professor sabe disso numa sala de aula. Uma das maiores besteiras em educao dizer que todos os alunos so iguais em capacidade de produzir e receber conhecimento.

A chamada tica das virtudes de Aristteles pressupe que a prtica das virtudes como tocar um instrumento musical: quanto mais se pratica, mais virtuoso se fica. A antipatia que esta forma de tica ganhou depois do sculo 18 ainda que haja uma tendncia contempornea em recuperla se deve recusa da sensibilidade democrtica em reconhecer que nem todos so capazes de desenvolver um carter forte.

A maioria tende covardia e fraqueza. Desculpar a falta de fora de carter da maioria se transformou em fato comum numa certa filosofia revolucionria depois da politizao da tica na esteira de Rousseau e Marx ou da ideologizao de tudo, como quando se culpa o capitalismo por tudo de mau no mundo.

Basicamente, o mundo sempre foi mau e continuar a ser, porque ele fruto do comportamento humano, que parece ter certos pressupostos naturais. Para os defensores do politicamente correto, tudo justificado dizendo que voc pobre, gay, negro, ndio, ou seja, algumas das vtimas sociais do mundo contemporneo.

No se trata de dizer que no h sofrimento na histria de tais grupos, mas sim dos exageros do politicamente correto em querer fazer deles os proprietrios do monoplio do sofrimento e da capacidade de salvar o mundo.

O mundo no tem salvao. O aristoi sofre muito mais do que o homem comum. No Renascimento, outro filsofo, Maquiavel, volta ao tema da virtude, ainda que de modo diferente. Para o filsofo de Florena, alguns homens tm virt virtude enquanto a maioria no.

E o que a virt? Virt uma qualidade do carter de alguns homens que os faz mais fortes e capazes de resolver problemas e enfrentar as dificuldades colocadas pelo dia a dia. Maquiavel evidentemente pensa no lder poltico, mas podemos ampliar sua anlise para alm da poltica. A observao do comportamento humano e da experincia histrica parece mostrar que no a maioria dos homens que tem virt, a maioria banal, como sempre.

Por outro lado, o conceito de fortuna o segundo termo importante do par essencial no pensamento maquiaveliano em seu famoso livro O Prncipe, ao lado da virt.

Fortuna acaso. Para Maquiavel, e muitos outros filsofos, a realidade dominada pelo acaso, isto , no h providncia divina nenhuma gerindo os eventos da vida ou do mundo. Vale salientar que aqui discutimos apenas o Maquiavel de O Prncipe. O virtuoso enfrenta melhor a fortuna, observando inclusive que muita coisa que as pessoas comuns remetem aos deuses ou ao prprio acaso pode ser enfrentada pela observao, disciplina, ousadia e coragem.

Maquiavel nos lembra que a fortuna representada como uma mulher. Por isso, como toda mulher, ela demanda coragem, ousadia e impetuosidade no trato, e no, medo, timidez e covardia. A proximidade entre virt e competncia com a lida da vida enorme.

De qualquer forma, o domnio da fortuna sempre determinante, mas o virtuoso pode ter mais sucesso nesse enfrentamento durante algum tempo. Outra coisa que o politicamente correto detesta numa posio como a maquiaveliana seu desprezo por qualquer forma de idealizao do ser humano.

Para o filsofo de Florena, a natureza humana, talvez devido ao pavor diante dos efeitos avassaladores da fortuna, sempre fraca, mentirosa, volvel, infiel, interesseira. Em poucas palavras, sofre de agonia por precariedade. No h, aparentemente, possibilidade para a ideia de um cidado consciente que escapa desse determinismo causado pelo terror da fortuna. Todavia, um bom prncipe leia-se, virtuoso pode tirar o que h de melhor do homem, na medida em que d a ele a possibilidade de uma vida menos dominada pela fortuna, pelo menos nos limites do convvio poltico e social.

A ideia de uma aristocracia competente dando ao homem comum uma vida menos terrvel evidente no pensamento de Maquiavel. J no sculo 20, uma filsofa russa exilada nos Estados Unidos, Ayn Rand, nos deu a melhor descrio do que seria uma tica aristocrtica das virtudes no mundo contemporneo e burgus.

Sua monumental obra de fico A Revolta de Atlas uma distopia. Distopias so o contrrio de utopias que descrevem parasos futuros , pois descrevem futuros polticos e sociais terrveis. A distopia de Rand descreve um mundo dominado pela mentalidade socialista, coletivista e por isso mesmo preguiosa.

Na minha vida j tive a infeliz oportunidade de participar de vrias reunies na universidade, seja como aluno, seja como professor, nas quais estavam presentes muitas pessoas preocupadas com o coletivo e a igualdade, e nunca vi tamanha concentrao de pensamento a servio de tanta estupidez e nulidade. Como dizia Tocqueville no sculo 19, autor do maior livro sobre democracia j escrito, Democracia na Amrica, a igualdade ama a mediocridade.

Rand acerta em cheio quando mostra uma sociedade que s fala no bem comum e na igualdade entre as pessoas contra as diferenas naturais de virtudes entre elas, estas a servio do mau-caratismo, da preguia e da nulidade. Ao buscar destruir as injustias sociais, o mundo descrito por Rand destri a produtividade, fonte de toda a vida, paralisando o mundo. Rand conhecida por seu realismo objetivo em tica.

Para ela, uma pessoa corajosa, trabalhadora, inteligente, ousada produz a sua volta relaes humanas sejam elas econmicas, polticas, existenciais concretas que so teis, abundantes, produtivas. Por exemplo, coragem produz no mundo ganhos materiais para todo mundo. Preguia e covardia produzem misria, mesquinhez, mentira. Isso mesmo: fora e coragem fazem as pessoas verdadeiras nas suas relaes, enquanto a ausncia de virtudes como essas as faz mentirosas e traioeiras.

A distopia descrita por Rand a melhor imagem do mundo dominado pelo politicamente correto: inveja, preguia, mentira, pobreza, destruio do pensamento, tudo regado pelo falso amor pela humanidade. Atlas aqui representa todos os homens e mulheres que carregam e sempre carregaram o mundo nas costas e que nos ltimos anos passaram a ser objeto de crtica pela esquerda rousseauniana.

Alguns trechos do livro podero fazer voc ter nuseas se for uma pessoa que sofre na pele a mentira dos preguiosos amantes da igualdade.

Rand afirma que a maior parte da humanidade sempre viveu s custas de uma minoria mais capaz e mais inteligente. Antes que algum leitor politicamente correto, com o mau carter que o caracteriza, tente dizer que isso fascismo, peo que me poupe.

Nada h de fascismo em Rand, apenas reconhecimento do bvio: poucos carregam muitos. Isso nada tem a ver com dio de raas, destruio das vtimas pelo contrrio, menos vtimas de pobreza existiro se existir mais gente produzindo riqueza ou outros croquetes ideolgicos. Uma das qualidades supremas de Rand ter percebido ainda em meados do sculo 20 que o mundo se preparava para desvalorizar aqueles mesmos graas aos quais os outros vivem, sob o papinho da justia social.

Se ela tivesse conhecido Obama, vomitaria. E esse convvio no fcil. Entre os dois, habita o que eu chamo de sensibilidade democrtica, um conjunto de caractersticas que vo alm do mero debate acerca das instituies democrticas, como poderes pblicos, partidos, eleies, plebiscitos etc. No se trata de falar mal da democracia, ela o regime poltico menos ruim. At onde os especialistas podem falar, precisamos viver em grupos para sobreviver, mas para isso fazemos concesses ao grupo em troca de alguma segurana.

Nesse sentido sou hobbesiano: o homem o lobo do homem, e o estado de natureza grosso modo , a maneira pr-poltico de vida, uma espcie de vida em bando do Neoltico devia ser bem pssimo. Por isso precisamos de organizao e poder. Dentro desse quadro de ausncia de opo de vida sem Estado poltico, a democracia o menos pior porque procura institucionalizar as tenses da vida em grupo, distribuindo os poderes de modo menos concentrado.

A tentativa de definir a democracia como regime de direitos ridcula porque no existem direitos sem deveres, por isso a ideia de que piolhos ou frangos tenham direitos comea a aparecer quando separamos direitos de sua contrapartida anterior, os deveres.

A praga PC costuma fazer essa separao por motivos de marketing poltico e ignorncia filosfica. Mas, independentemente de a democracia ser nossa melhor opo, h problemas nela, claro. Como dizia Tocqueville, a democracia tem impactos especficos nos humores, temperamentos, hbitos e costumes.

O que chamo de sensibilidade democrtica parte desses impactos. Uma coisa que salta aos olhos a tentativa de chamar qualquer um que critique a democracia de antidemocrtico.

A sensibilidade democrtica dolorida, qualquer coisa ela grita. Mas no me engano com ela: esse grito nada mais do que a tentativa de impedir crticas que reduzam a vocao tambm tirnica que a democracia tem como regime do povo.

O povo sempre opressor, Rousseau e Marx so dois mentirosos. Mesmo na Bblia, quando os profetas de Israel criticavam os poderosos, tambm criticavam o povo, que nunca foi heri de nada.

Alis, o risco da tirania do povo j tinha sido apontado pelo prprio Tocqueville. As duas formas mais evidentes de tirania so a da maioria e a do dinheiro criador de uma aristocracia do dinheiro em lugar da de sangue. Para evitar esse risco tirnico, precisamos cuidar dos mecanismos de pesos e contrapesos da democracia suas instituies em conflito, mdia, instncias de razo pblica, como escolas, universidades, a prpria mdia, tribunais etc.

O povo sempre opressor. Quando aparece politicamente, para quebrar coisas. O povo adere fcil e descaradamente como aderiu nos sculos 19 e 20 a toda forma de totalitarismo. Se der comida, casa e hospital, o povo faz qualquer coisa que voc pedir.

Confiar no povo como regulador da democracia confiar nos bons modos de um leo mesa. S mentirosos e ignorantes tm orgasmos polticos com o povo. Mas, voltando a liberdade igualdade, principal tenso na democracia: segundo Tocqueville, no h como evitar essa tenso porque ambas so valores de raiz da democracia. Quando voc d mais espao para a liberdade, a tendncia de que a democracia acentue as diferenas entre as pessoas e os grupos que nela vivem.

Mas a liberdade a chave da capacidade criativa e empreendedora do homem. Quando voc acentua a igualdade, a democracia ganha em nivelamento e perde em criatividade e gerao de abundncia para as pessoas. O politicamente correto um caso clssico de censura liberdade de pensamento, por isso, sob ele, o pensamento pblico fica pobre e repetitivo, por isso medocre e covarde.

Quando se acentua a igualdade na democracia, amplia-se a mediocridade, porque os covardes temem a liberdade. Por exemplo, os regimes marxistas, assim como os fascistas de direita os marxistas so os fascistas de esquerda , reduziram o pensamento e a vida das pessoas ao nvel de um formigueiro.

Mas a sensibilidade democrtica sofre quando se aponta a relao entre culto da igualdade e mediocridade. Essa questo toca fundo na natureza humana, que tende facilmente inrcia, a fim de garantir o cotidiano. Algo na natureza humana ama a mediocridade. Outra caracterstica problemtica da democracia sua vocao tagarela, como dizia o conde de Tocqueville. Nela, as pessoas so estimuladas a ter opinio sobre tudo, e a afirmao de que todos os homens so iguais quando a igualdade deve ser apenas perante um tribunal leva as pessoas mais idiotas a assumir que so capazes de opinar sobre tudo.

E, como dizia nosso conde, Descartes filsofo francs do sculo 17 nunca imaginou que algum levasse to a serio sua ideia de que o bom senso foi dado a todos os homens em quantidades iguais o que evidentemente uma mentira emprica. O resultado que, se voc pe em dvida a capacidade igual entre os homens de ter opinies, a sensibilidade democrtica grita de agonia. Mesmo homens com diploma universitrio de engenharia, por exemplo, se julgam capazes de pensamentos profundos sobre o mundo, revelando como a universidade, ao se tornar um fenmeno de massa como dizia o filsofo espanhol Ortega y Gasset no sculo 20 , criou a iluso de opinies banais com ares cultos.

Uma coisa que nosso conde percebeu que o homem da democracia, quando quer saber algo, pergunta para a pessoa do seu lado, e o que a maioria disser, ele assume como verdade. Da que, no lugar do conhecimento, a democracia criou a opinio pblica. Mas talvez a pior coisa da democracia seja o fato de que ela deu aos idiotas a conscincia de seu poder numrico, como dizia o sbio Nelson Rodrigues.

Em suas colunas de jornais, o Nelson costumava dizer que os idiotas, maioria absoluta da humanidade, antes do advento da Revoluo Francesa, viviam suas vidas comendo, reproduzindo e babando na gravata. Com a Revoluo Francesa e a democracia que a primeira no criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritrio , os idiotas perceberam que so em maior nmero, e de l para c todo mundo passou a ter de agrad-los, a fim de ter a possibilidade de existir principalmente intelectualmente.

Copyright Luiz Felipe Pond, 2012

O nome disso marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da fora democrtica numrica dos idiotas.

O politicamente correto uma das faces iradas desses idiotas. O filsofo ingls Michael Oakeshott escreveu vrios textos criticando as utopias polticas criadas a partir do sculo Um deles, em especial, O nascimento do homem-massa na democracia representativa, dialoga com a intuio rodriguiana. Para ambos, a democracia sempre d a vitria aos idiotas porque so a massa.

Oakeshott descreve o nascimento, ainda no Renascimento, de uma moda intelectual segundo a qual todos os homens seriam capazes de ser indivduos. O nascimento da noo de indivduo no Renascimento italiano j tinha sido apontado pelo historiador suo do Renascimento Jacob Burckhardt no sculo O autor suo chegou mesmo a descrever em sua obra o fato de muitos burgueses pagarem a escritores em condies financeiras ruins para escrever sobre suas vidas, enaltecendo seus feitos.

Nas palavras de Burckhardt, a inteno era criar a noo do que hoje chamamos de ter uma personalidade prpria e especial. Claro que h uma relao importante entre o nascimento da noo de indivduo e o surgimento da burguesia, a classe que define seu prprio destino pela competncia de cada um, e no pela mera herana de sangue. Com a runa da sociedade rural feudal, quase imvel, os burgueses criam o valor da individualidade competente e responsvel por si mesma, uma espcie de caso histrico do homem criador de seus prprios valores, como na utopia nietzschiana do super-homem.

Entretanto, quase todos fracassam na empreitada, porque o mundo sempre hostil individualidade, que fonte de valor para si mesma. O argumento de Oakeshott que quase ningum indivduo de fato isto , quase ningum tem uma personalidade autnoma e ativa, e di ter uma personalidade assim , por isso a regra repetir o que a maioria faz, mentindo-se sobre o fracasso da individualidade verdadeira.

Ao contrrio de Kant, no sculo 18, que sonhava com uma sociedade de homens cada vez mais maduros a maioridade kantiana igual capacidade de tomar decises por si s, ou seja, autonomia , Oakeshott suspeitava que tomar decises por si mesmo era a maldio de poucos. O politicamente correto adora dizer que a democracia feita de cidados conscientes e que todos so capazes de tomar decises autnomas, numa espcie de kantismo barato.

Para Oakeshott, ser um indivduo implica solido e inseguranas que a maioria das pessoas simplesmente no suporta e, por isso, desiste. Mas, como a democracia faz a propaganda da autonomia do indivduo como lastro dela mesma, acaba sendo hbito mentirmos sobre o fracasso da autonomia em escala poltica.

Mas, se parasse por a, menos mal. Oakeshott dir que todos os indivduos fracassados odiaro os verdadeiros indivduos, caando-os pelo mundo porque eles resistem massificao necessria para a operao da democracia moderna. Ao contrrio do que se diz, a democracia no opera pela autonomia, mas sim pela massificao crescente das opinies, como j dissera Tocqueville.

Aquele indivduo fracassado indivduo manqu rapidamente se transformar em anti-indivduo e homem-massa, comprando modelos de personalidade que a mdia vende e seguindo lderes autoritrios ou populistas que afirmaro a autonomia para todos como se a autonomia fosse uma espcie de bolsa-famlia para toda a populao. O indivduo verdadeiro sofre a perseguio mais descarada, porque ele sim vive a dureza de ter uma personalidade ativa e por isso mesmo acaba sendo um ctico com relao s promessas de autonomia para as massas.

No fundo, o indivduo fracassado e o homem-massa invejam a liberdade do indivduo verdadeiro porque ela lhes parece um luxo. Na realidade so primitivos demais para entender a maldio que ser indivduo e a dor que ser livre sem pertena a bandos. O encontro de Tocqueville, Nelson Rodrigues e Oakeshott evidente: o idiota raivoso fala sempre com fora de bando e, na democracia de massa em que vivemos, ele sim tem o poder absoluto de destruir todos os que no se submetem a sua regra de estupidez bem adaptada.

Quando o outro no cria problema, no h nenhum valor tico supremo em toler-lo. E, quando cria, quase sempre ningum o tolera. Veja, por exemplo, os eventos para dilogo inter-religioso. A discusso no pode durar mais do que meia hora, e logo devero servir os drinks e os croquettes, porque mais do que meia hora implicaria comear a falar a srio sobre as diferenas entre as religies as religies no querem todas a mesma coisa, isso conversa de mulherzinha.

Imagine cristos e judeus conversando sobre suas religies.

Cristos assumem que Jesus foi o Messias que os judeus esperavam e tambm que Ele Deus , e, portanto, os judeus teriam perdido o bonde da histria ao no reconhecer Jesus como Messias. Por sua vez, os judeus pensam que os cristos pegaram o bonde errado ao assumir que Jesus foi o Messias. Logo, conflito. Melhor tomar drinks e comer croquettes. Muulmanos so lindos, ndios so lindos, a frica linda, canibais so lindos, imigrantes ilegais so lindos, enfim, todos os outros so lindos.

Uma das reas mais amadas pela praga do politicamente correto a chamada tica do outro, ou seja, uma obrigao de acharmos que o outro sempre legal. Outro aqui significa quase sempre outras culturas ou algo oposto a Igreja, Deus, heterossexual, capitalismo ou arrumar o quarto e lavar o banheiro todo dia.

Evidente que conviver com o diferente essencial numa sociedade como a nossa, assolada pelos movimentos geogrficos humanos, mas da a dizer que todo outro lindo falso e, como sempre acontece com o politicamente correto, desvaloriza o prprio drama da convivncia com o outro. Existem dois filsofos muito ligados a esta causa da tica da alteridade o que no quer dizer que eles carregam em si a praga do politicamente correto , nome tcnico para o frisson do amor a todos os outros.

Um deles Martin Buber, e o outro, Emmanuel Levinas, ambos do sculo 20 e ambos judeus. Buber afirmava que as relaes no devem ser pautadas pelo binmio eu-isso, mas eu-tu. Tanto faz se o outro for uma pessoa, um animal ou a natureza. A ideia em si muito boa como elevao do padro tico nas relaes no mundo, claro que s vezes impossvel, porque o mundo funciona na lgica das trocas de interesses e de possibilidades de interesses, e a natureza humana est mais para o Prncipe do Maquiavel do que para o Pequeno Prncipe.

J o Levinas, mais recente, afirmava que o rosto do outro, uma espcie de frmula para falar de qualquer outro e todos os outros, deve pautar as relaes humanas, o que muito prximo, resumindo a pera, da posio de Buber. Para Levinas, no devemos querer saber o que as pessoas so ou para que elas servem, mas sim que so pessoas, e esse tipo de relao o modo de Deus operar, porque Deus o rosto do outro. Filosofias como essas sustentam o direito da existncia do outro no plano das relaes humanas e acabam por ser banalizadas no papinho de que o outro sempre legal e bonitinho por isso alguns filsofos profissionais consideram Levinas filsofo de mulherzinha.

Esse um problema que acomete as ideias abstratas e universais como esta: a realidade sempre menor ou maior do que ideias e, por isso, nunca igual s ideias.

Grande parte da crtica que fazem filsofos como Nietzsche sculo 19 e Plato sobre essa tendncia a descrever mal o mundo porque o fazemos desde um ponto de vista ideal e no real. O problema da idealizao do outro em nosso mundo contemporneo pior porque somos saturados de outros pessoas que vivem e pensam de modo estranho e quase sempre desagradvel para ns em toda parte: nos condomnios, no metr, no nibus, no trnsito, no cinema, no aeroporto.

Quando os outros esto longe, do outro lado do oceano, bonitinho amar todos os outros, mas, quando eles tm cheiro e hbitos outros, a coisa complica.

A crtica bobagem de o outro ser lindo no implica a defesa da destruio do outro, mas sim encararmos os impasses que a convivncia com o outro gera para a filosofia e para a vida.

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O pecado capital da praga PC sempre dourar a plula, no mnimo. Em sociedades promscuas culturalmente, como as do capitalismo avanado, em que pessoas se misturam no metr e nas lojas, o outro est sempre ao seu lado e s vezes, na hora do rush, pisando no seu p ou tomando seu lugar no nibus ou a vaga no estacionamento.O tema do fundamentalismo islmico uma constante no mal-estar contemporneo das relaes entre diferentes culturas. Dizem eles que tudo isso culpa do machismo, do capitalismo, do cristianismo, dos marcianos.

Uma das reas mais amadas pela praga do politicamente correto a chamada tica do outro, ou seja, uma obrigao de acharmos que o outro sempre legal.

Alis, o risco da tirania do povo j tinha sido apontado pelo prprio Tocqueville. Author gives some good examples from USA but it would not add anything new to your knowledge base. Como a Islndia no fim do mundo, muito fria no vero a temperatura varia entre 6 e 13 graus centgrados! Mas a sensibilidade democrtica sofre quando se aponta a relao entre culto da igualdade e mediocridade.

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